domingo, 17 de janeiro de 2021

ESTAMOS OUVINDO A VOZ DE DEUS?

Alguns anos atrás, na lanchonte Panini, localizada no Centro de Maceió, onde costumava almoçar na época em que emendava faculdade e trabalho. Lembro-me que sempre me chamava atenção a eficiência do pequeno grupo de dez pessoas que trabalhavam na cozinha do citado estabelecimento. A moça que fica no caixa, anunciava no microfone o pedido de cada cliente para que a equipe da cozinha o prepare. O mais espantoso é que, mesmo com o número imenso de pedidos e aquela adrenalina no corre-corre, todos os clientes eram atendidos imediatamente, tudo no mínimo detalhe (tem cliente que pede a salada de um tipo, sem tal legume, e por aí vai, o que só complica). Particularmente, por ser um pouco desatento não passaria dois minutos naquela cozinha.Partindo deste curioso fato, eu me questiono e peço para que cada um também faça o mesmo: Estamos atentos e ouvindo a voz de Deus, como os funcionários da cozinha daquela lanchonete? Ou ignoramos, à exemplo dos frequentadores de um barzinhoe música ao vivo, que com raríssimas exceções, ignoram os músicos que tocam alegremente? 

Na Primeira Leitura da liturgia (I Samuel 3, 3b-10. 19) nos mostra o chamado do jovem Samuel. Incialmente achando que era Eli que o chamava, Samuel acabava descobrindo que era o próprio Deus que o chamava insistentemente. E tão logo caiu a ficha sobre isso, se pois à disposição. Pois é, Deus nos chama todos os dias para O servimos em nossos lares, no nosso trabalho, até mesmo nas redes sociais. E a pergunta do início deste parágrafo continua: estamos atentos como os funcionários da cozinha da lanchonete ou  não damos a mínima como os clientes de um barzinho?

Na parábola dos dois filhos (cf. Mt 21, 28-32), Jesus conta que estes recebem uma tarefa do pai. Um dia que irá fazer, mas, não faz. O outro resmunga, se nega a princípio, mas, depois acaba fazendo a vontade do pai. E aí, somos quais dos filhos? Aquele que inicialmente negou seguir a vontade do pai e depois, voltou atrás ou aquele que prometeu da boca para fora atendê-lo? Acredito que na vida oscilamos entre um e outro, pois somos humanos, falhos e teimosos. Muitas vezes nos comprometemos com Deus, mas, por algum motivo acabamos por não cumprir. Mas também, por muitas vezes, nos recusamos, mas, depois voltamos a atrás. Nas duas atitudes é essencial reconhecemos nossas falhas e tratarmos logo de nos corrigir.

Deus nos fala constantemente, seja através da Sua Palavra e de fatos do nosso dia-a-dia. Precisamos estarmos atentos a isso, escutá-Lo e tentar fazer a Sua. Por mais que as circunstâncias sejam turbulentas, temos que ter a consciência que Deus é Pai e o que Ele deseja de cada um de nós é bom. Da mesma forma que aqueles competentes funcionários da cozinha estavam atentos mesmo no meio do barulhão àquela pequena caixinha de som, onde a colega do caixa, anuncia o pedido de cada cliente, busquemos fazer o mesmo no nosso dia-a-dia e ouvir o Senhor nos falar, dizendo prontamente como Samuel: "Fala, que teu servo escuta".

Rick Pinheiro.
Buscando ficar atento à voz de Deus.

sábado, 16 de janeiro de 2021

PEQUENOS SENTIMENTOS AUTODESTRUTIVOS.

A pouco mais de um ano passei junto com minha família por uma situação digna de filmes de terror de casa mal assombrada. Do nada, o fornecimento de energia começou a oscilar. A princípio achávamos que era um defeito geral e que estava acontecendo o mesmo com os vizinhos. Para a nossa surpresa, o fenômeno só estava acontecendo em nossa casa, e o mesmo piorou, se tornando mais frequente e forte a ponto de queimar alguns eletrodomésticos. Quando isso ocorreu, tivemos que chamar a empresa fornecedora de energia, que custou a chegar, mas, quando finalmente deu ar da sua graça, revelou que o problema foi ocasionado por uma minúscula peça defeituosa no poste. Quando o funcionário da empresa me mostrou a peça, me impressionou e me fez questionar o quanto uma pecinha tão pequena podia causar tanto danos.

Na mesma época, começou a ser anunciado nos noticiários, de forma bastante tímida, o surgimento de um vírus numa província chinesa. Quem diria que algo tão minúsculo, invisível aos nossos olhos, poderia causar uma pandemia de nível inimaginável, que está levando muitas pessoas no mundo inteiro, pais, filhos, amigos, colegas, vizinhos, conhecidos de alguém. Com certeza, a essa altura da pandemia,, todos nós já perdeu pelo menos um desses. Um vírus minúsculo, invisível aos nossos olhos, causando dor, sofrimento, morte, em número astronomicamente em pessoas do mundo inteiro.

A peça defeituosa no poste e o vírus vindo do outro lado do mundo têm em comum, obviamente, resguardada as devidas proporções, o fato de serem minúsculos em tamanhos, mas, causadores de grandes males. Ambos nos ensinam o cuidado que devemos ao máximo evitar de criar em nós sentimentos negativos em relação as outras pessoas. 

Somos humanos e temos sentimentos. É comum no decorrer da nossa vida temos antipatia por alguém, e por consequência, criarmos em nós ranço, rancor e até ódio. E isso é aumentado a enésima potência na realidade caótica em que vivemos, numa polarização que gera um ridículo maniqueísmo, onde basta alguém pensar diferente, ter uma ideologia ou crença contrária, se torna para o outro lado um inimigo ferrenho, alguém que tem que ser automaticamente combatido, eliminado, o tal do cancelado. Quantas famílias separadas, quantas amizades de décadas desfeitas, simplesmente, pelo simples fato de não aceitarmos o diferente e por tabela, acabamos criando pequenos sentimentos negativos que na verdade estão nos autodestruindo como seres humanos, único ser racional e imagem e semelhança de Deus.

Mesmo que não cortemos os laços familiares e de amizade, os sentimentos negativos, por mais que sejam minúsculos, quando criados se instalam em nós como ervas daninhas, e passam a nos autodestruir. O outro pode passar a vida toda sem saber do nosso rancor e raivinha por ele, mas, em nós eles vão tirando nosso sono, crescendo, podendo criar em nós atos como intolerância, que por tabela, podem nos levar a outros ainda mais danosos, que podem decorrer em violência. Por isso mesmo, devemos ao máximo nos autopoliciar e evitar ao máximos esses minúsculos sentimentos em nós. E quando eles surgirem, possamos ter a coragem e a força de vontade em arrancá-los, eliminando o mal pela raiz.

FRASES:




Rick Pinheiro.
Evitando ao máximo criar pequenos sentimentos negativos.

domingo, 6 de outubro de 2019

A SERPENTE E O VAGA-LUME.

Na homilia de hoje de manhã na Missa em que participei na Paróquia de São Lucas, aqui em Maceió, o diácono José Maria contou uma interessantíssima parábola que transcrevo abaixo:

Conta-se que uma serpente começou a perseguir um vaga-lume. Fugiu um dia e ela não desistiu; dois dias e nada. No terceiro dia, já sem forças, o vaga-lume parou e disse à cobra:

- Posso lhe fazer três perguntas? Pertenço à sua cadeia alimentar?
- Não.
- Eu lhe fiz algum mal?
- Não.
- Então, por que você quer acabar comigo?
E a serpente responde:
- Porque não suporto ver você brilhar.
(A Serpente e o vaga-lume. Autoria desconhecida.

No decorrer de nossa vida, várias são as serpentes que aparecem para tentar tirar o nosso brilho. Ela pode vim através das pessoas, seja no ambiente de trabalho, escolar e em alguns casos, até mesmo um familiar, ou dos mais variados problemas, que vão dos financeiros até uma doença. Mas, não podemos nos deixar ser devorados por eles. Cada um de nós tem brilho próprio, e viemos a esse mundo para brilhar. O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo declara que somos luz do mundo e nossa luz deve brilhar diante dos homens (Mateus 5, 13-16). Portanto, que tomemos posse desta Palavra que o Senhor nos dar, e busquemos sempre ser luz onde quer que estejamos e o que estivermos passando, não deixando que absolutamente nada ofusque o nosso brilho.

Rick Pinheiro.
Teólogo, professor de Filosofia, História, Ensino Religioso e Sociologia, bacharel em Direito, buscando sempre ser luz do mundo.